Cabana Zero, um protótipo para uma série de abrigos na região montanhosa do Rio de Janeiro, foi desenvolvido como parte de um programa de retiro espiritual inspirado nas tradições indígenas da Amazónia peruana. O projeto foi construído com uma forte ênfase na construção de baixo impacto, tanto no seu processo como na sua presença ambiental a longo prazo.
Princípios do projeto
O projeto surge de uma procura de vida essencial - construir com menos, com intenção e em estreito diálogo com o ambiente. A sua lógica espacial é moldada por contrastes: recolhimento e abertura, introspeção e imersão, criando uma experiência marcada pela leveza, pelo silêncio e pela autonomia.
Cada unidade combina um interior compacto e uma casa de banho seca com uma varanda aberta orientada para a floresta. No interior, as superfícies de pinho natural contrastam com a madeira manchada de preto das varandas, criando uma sensação de abstração e promovendo um contacto profundo e não mediado com a natureza. A Cabana Zero oferece uma forma leve e reversível de habitar o espaço - uma forma que se integra na paisagem em vez de se impor a ela.
Estrutura de design modular
A estrutura baseia-se em elementos modulares, montados a seco, suportados por pilares esguios de madeira de 10×10 centímetros, feitos de madeira recuperada ou jatobá, ancorados com inserções metálicas em pequenas bases de betão. Grande parte da madeira utilizada foi recuperada de um barracão pré-existente no local, reforçando a ligação entre o edifício e o lugar. O cubo de 2,4 metros segue uma grelha de 1,2 metros, o que facilita a replicação, o transporte e a desmontagem.
Localizado em terreno íngreme, o projeto é elevado do solo para minimizar a alteração topográfica e simplificar o sistema e o processo de construção. Os vãos são amplos, permitindo a entrada de luz natural e garantindo uma ventilação adequada.
Visão geral da sustentabilidade
O sistema modular minimizou o trabalho no local, com técnicas de montagem a seco e total autonomia em relação à rede eléctrica, permitindo um funcionamento totalmente fora da rede. As cabinas incorporam saneamento ecológico, incluindo casas de banho de compostagem e círculos de bananeiras para tratamento de águas cinzentas. As estratégias de design passivo, como a ventilação cruzada, o isolamento em camadas utilizando fibra PET reciclada e um sistema de telhado duplo que cria um amortecedor térmico, aumentam ainda mais o conforto e a eficiência.
Inovações de materiais
A reutilização da madeira de uma estrutura pré-existente no local reforçou o compromisso com as práticas circulares e a redução da necessidade de novos recursos. A estrutura primária e a cobertura foram construídas com madeira reciclada ou certificada pelo FSC, tratada com corantes naturais. O revestimento exterior é feito de pinho tratado sob pressão, garantindo uma durabilidade com um mínimo de manutenção. Toda a montagem foi realizada com inserções metálicas aparafusadas, evitando colas químicas ou soluções intensivas em betão.
Replicabilidade e expansão
Após o primeiro protótipo, outras onze unidades foram construídas seguindo a mesma lógica construtiva, demonstrando a viabilidade logística, a coerência ambiental e a replicabilidade do projeto.